Luísa DalArtesa

Luísa DalArtesa
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Tuesday, December 28, 2010

Tempo de Frutas


'Brilhando sobre a mesa'


'O par 3'


'Las argentinas'


'O par 2'



'Mangas'


'O trio'

'Apetitosas'

'Na mesma direção'

'Cerejinhas'


'Tricolor'

'Lanche'


'Caquis recém-colhidos'
'Inseparáveis'

'O par'

'Yes, aqui tem!'

Monday, December 06, 2010

Carlos Von Schmidt _ O Retrato Inacabado

'O Retrato Inacabado de Carlos Von Schmidt'





Quando conheci Carlos Von Schmidt, foi uma sintonia imediata. Nosso encontro foi proporcionado por outro amigo querido, Erico Santos e nasceu por causa de um livro de culinária e uma receita de trutas ao molho de alcaparras que enviei à ele, prato que ele testou e amou.

Não nos conhecíamos pessoalmente e trocávamos emails sobre arte, viagens, culinária internacional, tudo o que se pode imaginar que dois amigos conversam. Falávamos de gatos, contávamos experiências e por fim, depois de um ano, em 2006, estávamos trocando confidências. Em 2007, quando me mudei definitivamente para São Paulo, após uma traumática situação pessoal vivida no Rio de Janeiro, ainda fiquei alguns meses sem conhecê-lo, até que continuados os emails trocados, resolvi dizer que me estabeleci em São Paulo, e o fui conhecer na Galeria André. Foi impressionante!

Assim que entrei e percorri o salão da galeria até o encontrar, durante uma vernissage, eu sussurrei algo no seu ouvido quando ele estava de costas, uma frase que era uma brincadeira entre nós_ pois sabia de uma dificuldade auditiva_ e ele já havia me identificado: _ Luísa! É você! - disse.

Desde então, continuamos a nos falar como sempre, nas madrugadas no computador e nas tardes em que conseguíamos nos falar, estávamos sempre, falando do mundo, das pessoas que passaram e que faziam parte de nossas vidas, dos nossos planos pessoais, da vontade de ir um dia juntos ao Japão.
E foram inúmeras tardes felizes e agradáveis, no Hideki, e onde mais houvesse comida chinesa ou japonesa, ou assistindo TV em dia de domingo, em especial a Fórmula 1, vendo os filmes de Kurosawa, e outros mais, e ainda outros nem tão famosos e nem tão comerciais, mais com uma mensagem incrívelmente humana e enriquecedora. E sempre com um bom vinho, e a comida deliciosa trazida a domicílio pelo China in Box.
Tardes que me fazem muita falta, Era o meu único amigo achegado em São Paulo. E o nosso trato era não deixar o que havia dado errado em nossas vidas ser o papo principal desta troca de 'intelectos'.

Tivemos mais situações tristes e sofridas, durante uma internação hospitalar, que me deixou em alerta sobre os cuidados que ele devia e não tomava, teimosia de homem, as pontes que teve de colocar, e todos os dias eu estava com ele, saindo do aeroporto onde trabalhava para o cuidar, como meu pai, meu irmão, meu amigo, este amigo que fiz e que me faz uma grande falta, pois com sua ida me deixou o silêncio de não ter com quem falar...falar as coisas da Luísa Artèsa que lhe rendiam boas gargalhadas. Uma gargalhada que ouço exatamente agora, pois não esqueci o som delas.

Ele se recuperou foi para casa com a sua família, que o assistia cuidadosamente e regularmente no hospital, e eu tive nesta fase um problema delicado em virtude do que ficou pendente no Rio de Janeiro, e então, durante alguns meses, para não ter de lhe preocupar e aceitar ajuda, já que tinha a mania de oferecer e me achar orgulhosa por não aceitar, de não contar o que me afligia, deixei de vê-lo com a freqüencia habitual e diminuí os emails. Isto para não preocupá-lo, pois o problema dele era muito maior...

E neste meio tempo, uma manhã, abrindo o meu computador no trabalho, vejo na caixa do email que não abria há três dias, a notícia do falecimento dele.
Fiquei sem o chão que estou até hoje. Fiquei no silêncio que estou até hoje...sem o meu querido, porque ele era mesmo, o meu querido amigo.

Deixou-me uma gata de estimação, pois não voltou para buscá-la, e nem poderia, e eu a adotei. A que chamávamos 'Joujou Von Schmidt' e um livro de sua autoria 'Além do Sol Nascente', ofertado na noite de autógrafos na Livraria da Vila, onde escreveu simplesmente 'Para Luísa de Carlos. With love.' Vou guardar para sempre.
Eu estava fazendo um retrato dele, esboçado numa visita sua, e que eu resolvi não terminar. Ficará assim inacabado. Como uma Sinfonia de Bethoveen.

Um dia, meio nostálgico me disse: _ É, Luísa... _Chegou o meu ocaso...daqui a pouco ninguém lembrará de mim.
Ao que eu lhe disse... _ Carlos, nós fizemos muitas coisas em nossas vidas para nos mantermos sempre vivos de alguma forma...eu saberei o que fazer para mantê-lo sempre vivo.

E não menti.

Saudades meu amigo...eu e Béatrice, temos saudades. Lembraremos sempre de você...em 24 de dezembro, Béatrice também completa anos. Não dá para te esquecer.