Luísa DalArtesa

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Friday, July 06, 2012

Sabedoria numa lenda japonesa

Longevidade

Era uma vez, uma jovem chamada Miye, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra. Logo de início, percebeu que não se adaptava à sogra. Os temperamentos das duas mulheres eram muito diferentes e Miye cada vez se irritava mais com os hábitos arbitrários e costumes da sogra, que a criticava duramente e cada vez com mais insistência.

Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida com as duas se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições milenares, a nora tem que estar sempre ao serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo. Mas Miye, não suportando por mais tempo a ideia de viver morando com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um mestre, velho amigo do seu pai, Eiji, treinador de samurais.


Depois de ouvir a jovem, o mestre Eiji pegou um ramalhete de ervas terapêuticas e disse-lhe:

"Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois isso poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim o remédio agirá lentamente... Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas."

Myie voltou para casa e antes de passar pela porta do pagodá, respondeu: "Obrigado, mestre Eiji San, farei tudo o que me recomendou".


Miye ficou muito aliviada e voltou com o projeto de dar fim à insuportável sogra.

Durante várias semanas, Miye serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra e claro, como ensinado, com muito carinho... Tinha sempre presente a recomendação do velho Eiji para evitar suspeitas: controlava o seu humor, suas revoltas passadas, a lembrança da ira que sentia da sogra a cada vez que ela a humilhava diante dos outros e do marido...

Miye obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.

Passados alguns meses, toda a família estava mudada, havia harmonia, paz, entendimento. Miye se controlava, refreava bem o seu temperamento e nunca se aborrecia. Durante este tempo, não teve uma única discussão, já que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de lidar. Como as atitudes da sogra também mudaram, ambas passaram a tratar-se como mãe e filha.

Certo dia, Miye foi procurar o mestre Eiji, para lhe pedir ajuda e disse-lhe: "Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno das plantas venha a matar a minha sogra... É que ela transformou-se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe...Ela parou de me criticar, me fazer mal e de me humilhar...estamos tão bem que eu não posso fazer esta ruindade...foi egoísmo meu...eu deveria ter pensado em agir de outra forma...mas acredite, ela era muito, muito má comigo!! Não quero que ela morra por causa deste veneno lento que lhe dou.

O mestre Eiji San sorriu e abanou a cabeça: "Miye, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas, que te dei, são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas suas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar.  Tu fostes quem aprendeu a lidar com o inimigo sem saber o que estava fazendo, sem entender o meu plano...se sou um sábio minha cara Miye, jamais lhe induziria a matar alguém...o sábio derrota o adversário pela inteligência.
Vá em paz e viva bem, as coisas agora serão diferentes pois tu desenvolvestes o auto-domínio! Poucos são os que o conseguem!"

Miye agradeceu a sabedoria do velho e foi para casa pensando que deveria ter entendido isto sozinha...

Na China, assim como no Japão, há um provérbio da sabedoria oriental, milenar,que diz: "A pessoa que ama os outros também será amada".

Os árabes, outro povo sábio e temente a Deus (Allah) têm outro que diz: "O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos."


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